14.12.17

Marina Lima e Antonio Cicero: show "Dois Irmãos"



No dia 6 de julho deste ano, Marina e eu apresentamos, no palco do projeto Unimúsica, no Salão de Atos da UFRGS, em Porto Alegre, um show intitulado "Dois Irmãos". O Unimúsica acaba de colocá-lo no YouTube. Ei-lo: 


12.12.17

Mário Quintana: "Aula inaugural"



Aula inaugural

É verdade que na Ilíada não havia tantos heróis como na guerra
                                                                             [do Paraguai…
Mas eram bem falantes
E todos os seus gestos eram ritmados como num balé
Pela cadência dos metros homéricos.
Fora do ritmo, só há danação.
Fora da poesia, não há salvação.
A poesia é dança e a dança é alegria.
Dança, pois, teu desespero, dança
Tua miséria, teus arrebatamentos,
Teus júbilos
E,
Mesmo que temas imensamente a Deus,
Dança como David diante da Arca da Aliança;
Mesmo que temas imensamente a morte
Dança diante da tua cova.
Tece coroas de rimas…
Enquanto o poema não termina
A rima é como uma esperança
Que eternamente se renova.
A canção, a simples canção, é uma luz dentro da noite.
(Sabem todas as almas perdidas…)
O solene canto é um archote nas trevas.
(Sabem todas as almas perdidas…)
Dança, encantado dominador de monstros,
Tirano das esfinges,
Dança, Poeta.
E sob o aéreo, o implacável, o irresistível ritmo de teus pés,
Deixa rugir o Caos atônito…



QUINTANA, Mário. "Aula inaugural". In:_____. Nova antologia poética. Rio de Janeiro: Codecri, 1981.

11.12.17

Anônimo: "Traum" / "Sonho mau": trad. Geir Campos



Sonho mau

Esta noite sonhei
Um pesadelo assim:
– Em me jardim crescia
Um pé de alecrim;

Cemitério, o jardim;
A cova era um canteiro;
Flores, botões caíam
Do verde alecrineiro;

As flores coloquei
Juntas num jarro de ouro
Que me caiu dasmãos
E em cacos se quebrou;

Vi então correrem pérolas
E aljôfar cor-de-rosa...
Que quer dizer atl sonho?
Ah, Amada, estarás morta?




Traum

Ich hab die Nacht geträumet
Wohl einen schweren Traum,
Es wuchs in meinem Garten
Ein Rosmarienbaum.

Ein Kirchhof war der Garten
Ein Blumenbeet das Grab,
Und von dem grünen Baume
Fiel Kron und Blüte ab.

Die Blüten tät ich sammeln
In einen goldnen Krug,
Der fiel mir aus den Händen,
Daß er in Stücken schlug.

Draus sah ich Perlen rinnen
Und Tröpflein rosenrot:
Was mag der Traum bedeuten?
Ach Liebster, bist Du tot?




Anônimo. "Traum". In: CAMPOS, Geir. O livro de ouro da poesia alemã (em alemão e português). Rio de Janeiro: Ediouro, s.d.

9.12.17

Torquato Neto e Jards Macalé: "Let's play that"




Let’s play that

Quando eu nasci
Um anjo louco muito louco
Veio ler a minha mão
Não era um anjo barroco
Era um anjo muito louco, torto
Com asas de avião
Eis que esse anjo me disse
Apertando minha mão
Com um sorriso entre dentes
Vai bicho desafinar
O coro dos contentes
Vai bicho desafinar
O coro dos contentes
Let's play that




NETO, Torquato. "Let's play that". In: MORICONI, Ítalo (org.). Torquato Neto essencial. Belo Horizonte: Autêntica, 2017.


Canção: Jards Macalé canta a canção "Let's play that", parceria dele (música) com Torquato Neto (letra):


7.12.17

Sylvia Beirute sobre a poesia de Antonio Cicero



Fiquei feliz com a análise crítica que a poeta portuguesa Sylvia Beirute fez da poesia que escrevo. Fica aqui: http://sylviabeirute.blogspot.com.br/2010/11/antonio-cicero-poemas-poesia-analise.html.

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Fernando Pessoa: "Nesta vida, em que sou meu sono"



Nesta vida, em que sou meu sono

Nesta vida, em que sou meu sono,
Não sou meu dono.
Quem sou é quem me ignoro e vive
Através desta névoa que sou eu
Todas as vidas que eu outrora tive,
Numa só vida.
Mar sou; baixo marulho ao alto rujo,
Mas minha cor vem do meu alto céu,
E só me encontro quando de mim fujo.

Quem quando eu era infante me guiava
Senão a vera alma que em mim estava?
Atada pelos braços corporais,
Não podia ser mais.
Mas, certo, um gesto, olhar ou esquecimento
Também, aos olhos de quem bem olhou,
A Presença Real sob o disfarce
Da minha alma presente sem intento.



PESSOA, Fernando. "Nesta vida em que sou meu sono". In:_____. Poesias inéditas (1930-1935). Lisboa: Ática, 1955.

6.12.17

José Mário Pereira: "O que é um texto literário bom?"



O que é um texto literário bom?

É aquele que se lê com agrado e que convoca à reflexão. Um bom autor maneja bem os recursos de sua língua, e dialoga ao mesmo tempo com a tradição e com os seus contemporâneos.



PEREIRA, José Mário. Entrevista à revista Cândido. Curitiba: Biblioteca Pública do Paraná, dezembro de 2017.